2026 World Jiu-Jitsu IBJJF Championship

Mundial 2026: Gabi Pessanha revela planos ainda maiores no Jiu-Jitsu

Mundial 2026: Gabi Pessanha revela planos ainda maiores no Jiu-Jitsu

Maior campeã feminina da história, Gabi segue rumo à Pirâmide de Long Beach para bater ainda mais recordes na faixa-preta

May 27, 2026 by Carlos Arthur Jr.
Mundial 2026: Gabi Pessanha revela planos ainda maiores no Jiu-Jitsu

O topo da montanha é objetivo maior do competidor. Permanecer no topo, porém, é cheio de percalços. Renovar a motivação, a sensação de objetivo alcançado, dúvidas. Tudo isso passa na cabeça dos atletas de alto nível. Gabi Pessanha vai contra a maré. Mesmo com dez títulos mundiais na faixa-preta, a Rainha do Jiu-Jitsu quer ainda mais, e nem os tropeços mais duros foram capazez de abalar a mente focada e sem ruídos de Gabi.

 Seja no treino forte da Infight na Cidade de Deus, nas quadras de basquete ou nas campanhas da Força Aérea Brasileira, Gabi tira uma lição de todas as coisas. Ela continua sedenta por conhecimento e a mentalidade de conquistar tudo, com foco absurdo seja numa medalha de ouro ou em completar um simples álbum de figurinhas, faz da jovem veterana de 25 anos uma verdadeira barreira para novas competidoras que estão de olho no mesmo topo.

Nossa equipe conversou com Gabi na semana do Mundial de Jiu-Jitsu de 2026, que começa na próxima quinta-feira, dia 28 de maio, em Long Beach. A fera da CDD começa sua jornada no dia 30, lutando peso e absoluto na intenção de chagar aos 12 títulos, colando em Marcus Buchecha. Entenda nas linhas abaixo a mente e foco de Gabi para seguir reinando com maestria na arte suave, e aprenda com a campeã a colocar dedicação máxima em todos os aspectos da vida. 

FloGrappling: Vindo da sua quinta conquista de Grand Slam como faixa-preta na temporada 2025/2026, você agora ruma para a Califórnia em busca do seu 11° e 12° títulos mundiais, com possibilidade de passar lendas do esporte como Roger Gracie, Bia Mesquita e Bruno Malfacine, e ficar atrás apenas de Marcus Buchecha na contagem de ouros. A iminência de quebrar mais um recorde muda a sua visão do Mundial deste ano? O que você pensa do torneio?

Gabi Pessanha: É um mix de sentimentos. Lembro que no início, meu sonho era só lutar o Mundial como faixa-preta na pirâmide, mas conforme fui crescendo, passei a almejar mais alto e quis me tornar campeã lá. Depois que venci meu segundo Mundial, que foi no peso e absoluto, passei a querer vencer sempre as duas categorias e, quando cheguei no sexto título, decidi que queria chegar em nomes como Bia Mesquita, Bruno Malfacine e Roger Gracie. Agora estou sempre olhando para o topo da montanha, que é o Buchecha, com 13 títulos. Se você quer ser o melhor, precisa fazer o que os melhores fazem, então meu objetivo maior é passar o recorde do Buchecha na faixa-preta.

Com seu reinado firme na divisão de super-pesados ao longo da última temporada, você encontrou uma adversária perigosa em Sarah Galvão nas disputas de absoluto desse ano, fazendo as finais contra a jovem atleta em todos os torneios de Grand Slam. Qual a sua opinião sobre essa nova rivalidade?

Nas competições, a galera só fala que quer ver as minhas próximas lutas contra a Sarah e isso é muito legal, tanto para o esporte como também para o Jiu-Jitsu feminino. É igual quando as pessoas falam que querem ver o Tainan contra o Mica ou Tainan contra o Jansen, são lutas que cativam o público. Até mesmo pessoas que não fazem Jiu-Jitsu me mandaram mensagens dizendo que, apesar de não treinarem, estavam empolgadas para assistir nós lutarmos. Isso é muito bom para o crescimento do nosso esporte.

Apesar de ser uma novata na faixa-preta, a Sarah se mostrou à altura do desafio e conseguiu uma vitória aguerrida na final de absoluto do Pan-Americano, com você voltando com tudo para reinar sobre o peso aberto no Brasileiro poucos meses depois. Quais lições você tirou da derrota no Pan que te ajudaram a ficar com o ouro no Brasileiro? 

Meu professor sempre diz que se você não está feliz com o que está colhendo, é preciso ver o que está plantando, e depois do Pan foram muitos dias de reflexão, sobre como eu estava me dedicando e o que eu precisava melhorar. Foi uma derrota que me fez crescer muito, como pessoa e como atleta. Meu treinamento continuou o mesmo, mas dei uma atenção especial ao meu preparo físico, comecei a treinar mais e aumentei a agilidade das minhas posições junto aos meus preparadores, e hoje me sinto bem mais forte e veloz lutando. O resultado falou por si só no Brasileiro e posso dizer que estou bem animada para o Mundial. 


Além de uma carreira quase sem precedentes no Jiu-Jitsu, você também se tornou sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) e se mostra muito orgulhosa em representar as forças armadas nas competições. Qual foi o maior aprendizado que o curso de militares trouxe para sua vida dentro e fora dos tatames?

Ingressar nas Forças Armadas foi a realização de um sonho, tanto para mim quanto para a minha família. Vi muitos atletas chegando na FAB através de esportes como basquete, judô e natação, mas como o Jiu-Jitsu não é um esporte olímpico, achei que seria impossível eu ter essa mesma oportunidade. O militarismo traz muitos aprendizados, sobre espírito de corpo, sobre um ajudar o outro, sobre garra e vontade, coisas que a gente leva para a competição. Lembro de quando eu ingressei, a adaptação, os momentos de saudade da família, tiveram até momentos que eu quis chorar no acampamento, mas aprendi e venho aprendendo muito com a vida de militar.

Outra curiosidade são os treinos fora do tatame. Há quem opte pelo wrestling, ou judô. Você foi para o basquete. O que te levou para as quadras? O que você vê de similar entre os esportes e quais lições você levou do basquete pro Jiu-Jitsu?

Depois de uma reciclagem que tivemos no quartel, conheci muitos atletas do basquete e despertei a curiosidade de treinar e começar. Meus amigos dizem que eu tenho hiperfoco, mas eu considero um hobby, algo que me traz uma descompressão mental. Não é para desfocar do Jiu-Jitsu, mas tem momentos que você precisa dar uma caminhada ou até mesmo fazer outro esporte pra não ficar tão maçante. Muitas pessoas acabam parando de treinar porque não conseguem dar esse tempo, e o basquete me ensinou a ser mais paciente e a valorizar ainda mais o treinamento. Mesmo não tendo muito em comum com o Jiu-Jitsu, é algo que me faz bem e isso já é suficiente. Outro hobby que eu tenho é colecionar figurinhas para o álbum da copa, já decidi que só vou parar quando completar. Muitas pessoas acabam estranhando, mas levo essa mesma vontade para ser campeã no Jiu-Jitsu.

Voltando às rivalidades, o Mundial deste ano também traz a possibilidade de um reencontro com Tayane Porfírio, que vem te desafiando ao longo dos anos e que finalmente conseguiu sair com a vitória na final de peso do Brasileiro do ano passado. Como a possibilidade de enfrentar uma atleta tão dura afeta sua preparação? Você revisita as lutas anteriores para preparar ainda melhor seu jogo?

Não sou muito de focar em adversários, sempre procuro pensar mais em mim mesma. Estaria mentindo se dissesse que não estudo meus adversários, mas a minha atenção maior é sempre na Gabi Pessanha, no meu jogo e em como eu posso melhorar. Existem adversárias que nos fazem crescer muito como atleta. Gosto de lutar contra os melhores e já na faixa-azul eu brincava dizendo que ia pegar a Tayane na faixa-preta, e hoje em dia a gente já lutou várias vezes, mas cada luta é diferente. Não é porque ela ganhou no Brasileiro que vai voltar a ganhar agora, da mesma forma que a minha vitória no The Crown não garante que eu vou ganhar dela no Mundial. Ter ela na chave não afeta a minha preparação, mas me motiva porque estar em uma divisão com atletas duras me leva a treinar mais, ficar mais focada e a entrar ainda mais alerta para a competição. Mas se tratando de faixa-preta e alto rendimento, acredito que temos que treinar para estar prontas para qualquer luta.


Assista Jiu-Jitsu na FloGrappling

A FloGrappling é a melhor plataforma para assistir aos melhores eventos de Jiu-Jitsu do mundo e obter as informações mais relevantes do esporte. Confira na FloGrappling eventos com exclusividade como: 

Siga a FloGrappling Nas Redes Sociais