Elisabeth Clay e a estratégia para finalizar todas no Mundial Sem Kimono
Elisabeth Clay e a estratégia para finalizar todas no Mundial Sem Kimono
Algoz de Gabi Pessanha na final do absoluto, a peso médio faturou ouro duplo em Vegas finalizando todas as favoritas

Embalada pela conquista do Grand Slam na temporada anterior e por uma sequência incrível de vitórias em sua relativamente nova carreira no Jiu-Jitsu sem kimono, Gabi Pessanha chegou ao Mundial No-Gi deste ano preparada para dar mais um show e acrescentar outro ouro duplo para sua vasta coleção, mas acabou parada na final do absoluto de forma inesperada: Sucumbindo a um heel hook pelas mãos de Elisabeth Clay, dando os três tapinhas pela primeira vez em sua carreira na faixa-preta.
Atleta estadunidense conhecida no cenário internacional do grappling, Elisabeth despontou na esfera competitiva ao conquistar a medalha de ouro nas seletivas norte-americanas do ADCC em 2017, com apenas 16 anos, e segue como uma das competidoras mais condecoradas em atividade no esporte. Com inúmeros títulos conquistados na IBJJF, Elisabeth fez campanha impecável no Mundial Sem Kimono deste ano e saiu com o ouro duplo, com destaque para sua atuação no absoluto ao finalizar a bicampeã do ADCC 2024 Adele Fornarino, a duríssima novata Injana Goodman e, é claro, a Rainha do Jiu-Jitsu Gabi na final da divisão.
Em papo com a FloGrappling, Elisabeth abriu o jogo sobre seu preparo para o evento, a sensação de acumular vitórias em uma das competições mais desafiadoras da temporada e como a consistência foi a chave para superar alguns dos maiores nomes do esporte. Confira a entrevista nas linhas abaixo!
No absoluto, você finalizou suas três lutas, passando por outras favoritas da chave como Adele Fornarino, Injana Goodman e, é claro, Gabi Pessanha. O que passou pela sua cabeça após cada um desses duelos?
Foi uma sensação incrível. Tentei ficar focada e levar cada luta de uma vez, mas as coisas foram diferentes depois da luta com a Gabi. Acho que deu pra ver que fiquei muito emocionada no tatame, coisa que não costumo fazer. Foi um ano de altos e baixos, e muita coisa mudou na minha vida pessoal e profissional, então essa vitória foi uma forma sensacional de encerrar 2025.
Sua estratégia nas lutas do absoluto chamou a atenção. Assim como você, tanto a Adele quanto a Injana são muito boas de leglock, mas você usou esses ataques para fintar e atacar na guilhotina. Isso foi algo premeditado para o evento ou você só aproveitou essas oportunidades?
Meu plano original era variar de ataques nos pés para o pescoço e vice-versa, já que eu acho que eles se conectam muito bem entre si. Mas quando fui tentar dar o bote nos pés em ambas as lutas, senti que a parte de cima estava mais desprotegida e não queria me limitar a jogar só nas pernas, então decidi subir e começar a fazer meu jogo na parte superior. Acabei finalizando na guilhotina porque foi onde surgiu a oportunidade.

Depois de duas adversárias desafiadoras, você ainda conseguiu dar mais um show contra a temida Gabi Pessanha na final do peso aberto. Houve alguma mudança na sua estratégia ou você confiou no seu jogo normal para superar a rainha do Jiu-Jitsu?
Já havia enfrentado a Gabi duas vezes, mas ambas foram de kimono. Dessa vez, meu plano era atacar no pé para tentar finalizar ou raspar, e acabou dando certo. Depois disso foi só atacar no heel hook, que não teve nada de diferente. Tentei tratar essa luta como qualquer outra, já que meu objetivo é usar meu próprio jogo para sair vitoriosa. Se eu começo a tentar mudar muita coisa para uma oponente específica, ela já sai em vantagem porque me tirou do estilo de luta que estou acostumada.
Seu domínio não se limitou ao absoluto. Você saiu do evento com o ouro duplo, finalizando todas as suas adversárias em ambas as categorias. Você já tinha conseguido esse feito em algum outro Mundial Sem Kimono na faixa-preta?
Venci peso e absoluto no Mundial No-Gi de 2022 e fiz um ótimo campeonato, mas mesmo assim não finalizei todas as adversárias. Acho que a última vez que fiz algo parecido foi no de 2019, ainda na faixa-marrom. Meu treino para o Mundial sem kimono deste ano foi bem curto, já que estava mais focada para o The Crown, de kimono, que aconteceu apenas duas semanas antes.
Além do Mundial No-Gi, o ano de 2025 também trouxe mais uma conquista para sua carreira: a vitória no Brasileiro de kimono, finalizando três dos seus quatro confrontos e fortalecendo ainda mais seu currículo no Jiu-Jitsu tradicional. Qual foi a sensação de morder o ouro em um dos eventos mais desafiadores no calendário da IBJJF?
Vencer o Brasileiro desse ano foi incrível. Essa foi a minha terceira tentativa na faixa-preta e foi ainda melhor porque pude ter meu filho junto comigo, assistindo minhas lutas e conhecendo a sua avó brasileira pela primeira vez. Esse título foi uma das minhas maiores metas profissionais por um bom tempo, estou muito feliz por finalmente ter conseguido essa conquista.
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