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Roosevelt Sousa e a reinvenção para vencer dois mundiais em 2025

Roosevelt Sousa e a reinvenção para vencer dois mundiais em 2025

Entenda como o atleta saiu de uma depressão para conquistar o Mundial de Kimono e o Mundial Sem Kimono nesta temporada

Dec 29, 2025 by Carlos Arthur Jr.
Roosevelt Sousa e a reinvenção para vencer dois mundiais em 2025

Não desistir é a principal regra do Jiu-Jitsu. Atletas de ponta chegam no seu ápice ao experimentar reveses, frustrações, contratempos. A evolução parte da dor, e se levantar após a queda faz do competidor um ser ainda mais perigoso. No caso de Roosevelt Sousa, se superar, dentro e fora do tatame, foi a chave para sair de uma depressão e conquistar o topo do mundo duas vezes em 2025.

Campeão Mundial de kimono e sem kimono em 2025, Roosevelt voltou ao trilho das vitórias após um ano de 2024 conturbado, de altos e baixos. Nossa equipe conversou com o competidor da Fight Sports para entender um pouco mais da mente vencedora de Roosevelt, e como seguir em frente foi a tônica para alcançar o prestígio que ele tanto buscou na carreira, mesmo com as pedras no caminho.

"Sou um cara persistente", ressaltou Roosevelt. "Independente de bons ou maus resultados vou continuar lutando, buscando desafios. Competir é uma forma de calar a voz na minha cabeça que diz que não sou capaz, que eu não mereço estar ali. Meu maior objetivo é me superar, vencer a mim mesmo, e 2025 foi exatamente isso: o resultado de muita persistência, superação e fé no processo. Sou extremamente grato por tudo que vivi até agora. Comecei o ano vencendo e terminei o ano vencendo."


Confira a entrevista completa nas linhas abaixo!


Você chegou ao topo em 2025 depois de um ano de 2024 recheado de caminhos tortuosos. Qual foi a sua virada de chave para reinar este ano?


Todo o ano de 2024 foi muito difícil, com resultados ruins nas competições. Estava tentando entender o porquê disso. Foi um ano de descoberta, paciência e aprendizado. Apesar das dificuldades, não desisti. Estava bem preparado no ADCC, fisicamente e tecnicamente. Mas o que eu estava enfrentando naquele momento ia muito além da preparação: uma depressão muito forte, que afetou diretamente meu desempenho. Não conseguia estar presente de verdade, então precisei olhar para dentro e cuidar de mim. 

Em 2025 estava mais inteiro, mais consciente. Voltei a competir do jeito certo, ganhei o Mundial e, graças a Deus, consegui manter esse ritmo até hoje. Isso me mostra que, muitas vezes, a vitória começa muito antes do pódio. Começa quando a gente tem coragem de se cuidar, de ser paciente e de não desistir de si mesmo.


Conquistar os dois maiores títulos da IBJJF, e no mesmo ano, é um feito para poucos. Qual foi o mais difícil?

Sem dúvidas, o Mundial de Kimono. Não estava treinando como deveria. Treinei basicamente com meus alunos, faixas brancas e azuis. Não me sentia pronto. Mesmo assim, me inscrevi. Eu sabia que, se quisesse continuar lutando e voltar a ter grandes resultados, precisaria lutar mesmo sem estar pronto. E eu acredito muito nisso: o lutador precisa ir para a guerra mesmo quando não se sente preparado. Quando a oportunidade aparece, a gente tem que abraçar e seguir em frente, independentemente do que possa acontecer. E lutar bravamente.

Já estava por volta dos 33 anos. Depois de tudo que estava vivendo achava que já não tinha condição de ganhar um torneio daquele nível. Existia essa dúvida dentro de mim. Quando ganhei, aquela vitória foi exatamente a motivação que eu precisava. Foi a prova de que eu era capaz, de que nada era impossível. Mudei a minha atitude no tatame, a forma como eu treino e encaro desafios. Aprendi muito naquele dia.

Já no Mundial No-Gi, o cenário era completamente diferente. Estava embalado, confiante. Competindo mais, ganhando mais, e isso foi virando uma bola de neve de evolução. Cada competição me deixava mais forte e consciente do que eu era capaz de fazer.


Falando sobre o que veio após os títulos mundiais: A procura aumentou? Poucos atletas na história morderam o Mundial com e sem kimono no mesmo ano. O que você acha que falta para escrever seu nome na história?

Entendo que o mundo em que a gente vive hoje está mudando muito rápido. Nós atletas precisamos nos adaptar a esta realidade. Não dá mais para esperar um retorno financeiro imediato apenas das vitórias. Hoje, a forma como você se comunica — tanto pessoalmente quanto na internet — é um fator decisivo para transformar resultados em oportunidades.

Cada vitória na IBJJF não é só um título. É uma oportunidade de gerar atenção, de fazer barulho com o seu nome e de se colocar nos holofotes. É o momento de aproveitar: convites, patrocínios, grandes lutas. Aprendi que hoje não basta apenas lutar bem. É preciso ser inteligente, continuar aprendendo e saber se posicionar. O meu valor não está só nas medalhas. Não é fácil, mas estou me esforçando muito para evoluir em todas essas áreas e levar minha carreira para um outro nível.


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